segunda-feira, 16 de abril de 2018

Lula, um presidiário nas pesquisas para presidente

Essa discussão sobre a posição do ex-presidente Lula na corrida presidencial traz outro assunto, este sim muito importante na campanha que vem chegando, que é sobre a razão do Datafolha colocar em uma pesquisa eleitoral para presidente da República o nome de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, que está preso cumprindo pena. Não existe dúvida alguma de que Lula não pode ser candidato. Sendo assim, do ponto de vista jornalístico a Folha de S. Paulo tinha que estar mantendo de outro jeito o nome do chefão do PT em sua pauta, no entanto lá vem o jornal de novo com uma pesquisa que serve apenas para estimular discussões vazias. Desse jeito podem acabar criando o candidato emérito.

É evidente demais o interesse deles em ter Lula como presidenciável forte, usando para isso inclusive reportagens iludindo sobre seu poder pessoal sobre o eleitorado. E agora vem o Datafolha, com a novidade de querer saber se o eleitor daria seu voto a um presidiário. Se fosse na época em que a imprensa era mantida no cabresto, presa pelo preço da importação de papel, seria mais fácil saber a causa do encanto por Lula. Agora fica bem mais difícil, ainda mais nesse caso em que temos alguém sem o poder da caneta. Ou será por conta de dívidas antigas o tamanho deste apreço?

Já faz tempo que existem suspeitas sobre o estranho comportamento da empresa que edita a Folha de S. Paulo e tem o controle do instituto de pesquisas. Agora essa preferência por Lula ficou ainda mais estranha, com a prisão do ex-presidente trombando com a pauta de uma pesquisa fora de contexto. Ou o Datafolha virou almanaque de curiosidades ou tem coisa aí, debaixo desse angu, como se dizia antigamente, quando o PT tinha muita receita para rechear angus.

Lula está fora da disputa e ponto final. Colocar seu nome sujo em pesquisa pode até esquentar roda de chope ou bate-boca nas redes sociais, mas o assunto rola sempre com a suspeita de algum interesse inconfessável no surgimento da estranha aparição. Serventia política séria não tem nenhuma. A seriedade jornalística também ficou em falta. A Folha segue numa batida estranha, com a pauta no Lula lá no Planalto, longe demais da referência atual, que é Lula no xilindró. Parece até uma grave dependência, algo como um comprometimento que nada tem a ver com compromisso jornalístico.
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POR José Pires

O retrato de sua própria desgraça visita Lula

A lista de senadores da Comissão de Direitos Humanos que devem visitar o ex-presidente Lula nesta terça-feira, na sala que lhe serve de cela, em Curitiba, serve como excelente exemplar da atual condição política de Lula e de seu partido. A visita foi autorizada pela juíza Carolina Lebbos nesta tarde. A juíza fez questão de ressaltar a inexistência de notícia de violação das garantias individuais do ex-presidente.

Mas vamos à lista exemplar: são os petistas Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann, Humberto Costa, Fátima Bezerra, Regina Souza, José Pimentel, Paulo Paim e Paulo Rocha; os pedetistas Ângela Portela e Telmário Mota, além de João Capibaribe e Lídice da Mata, do PSB, e ainda Vanessa Grazziotin, do PCdoB. O emedebista Roberto Requião aguardará com sua simpatia os colegas em seu estado.

Reparem que são os mesmos que formaram na linha de defesa de Dilma Rousseff, na tentativa de evitar seu impeachment. Ao grito de cada um deles — e como gritaram — em contrariedade ao desenvolvimento do processo, o impeachment de Dilma andava mais um pouco. Tudo o que faziam dava um forte empurrão para a frente na cassação, seja a tentativa de costura de acordos de bastidores ou na defesa aberta em plenário, qualquer movimento da tropa de incapazes contribuía para o estímulo dos que já eram favoráveis à derrubada do governo do PT, servindo também para o convencimento dos indecisos. Suas interferências eram de uma eficiência impressionante para dar aos indecisos a certeza de que a melhor opção era o voto contra Dilma.

Liderados por Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Vanessa Grazziotin, este grupo de senadores merece ficar na história do Legislativo como defensores políticos de uma incompetência extremamente rara, mesmo num Congresso Nacional que em seu conjunto não é lá essas coisas. Eles são mesmo insuperáveis. Não é por mera coincidência que muitos deles nem pretendem tentar a reeleição.

Pois aí estão as lideranças políticas com as quais Lula está tendo que contar. É também a partir deles que terá de ser estruturada uma saída para a terrível crise de credibilidade em que está afundada a esquerda. Com o nível desta caravana de políticos em visita ao condenado por corrupção e lavagem de dinheiro fica até risível que alguém acredite que Lula pode se sair bem dessa situação. Sabendo da tremenda inabilidade desses tipos, mais engraçado ainda é supor que a esquerda não será dizimada eleitoralmente neste ano que tem a marca política da prisão como criminoso comum do líder tido por eles como sua maior glória.
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POR José Pires

Lula e Boulos: tirando proveito da tolerância do Brasil

A invasão do triplex do Guarujá, feita por integrantes do MTST, de Guilherme Boulos, demonstra que o Brasil tem que começar bem rápido a penalizar esse tipo de crime. O sujeito que dizia que não era dono do tríplex já está preso. Os invasores da propriedade também precisam ser punidos, junto com seu líder. O pais tem que deixar de passar a mão na cabeça de manipuladores de pessoas em situação de extrema necessidade, como é o caso de Boulos, que aliás, segue o mestre Lula, com certeza de olho na carreira de sucesso do outro como manipulador dos mais pobres.

O Brasil parece ter um complexo grave, que impede o rigor contra a desobediência a regras básicas de convivência e até mesmo a afronta criminosa às leis, desde que seja política a alegação dos delinquentes. Tipos como Boulos se aproveitam disso, reprisando de forma muito parecida as atitudes de Lula, que foi tirando proveito da equivocada tolerância dos brasileiros, com isso adquirindo cada vez mais poder político, até alcançar o governo federal. Ainda com manipulação da pobreza, foi por pouco que não se instalou definitivamente no poder com seu partido.

A dificuldade brasileira de conter essas figuras nefastas vem de um sentimento de culpa deixado pela ditadura militar, período em que se proibiu tudo, com o Estado atropelando direitos e desgraçando a liberdade em nome do combate ao comunismo. Depois da democratização ficou este acanhamento social em punir qualquer coisa anunciada por oportunistas como atos políticos. Hoje em dia basta alguém apelar para questões de direitos sociais, de minorias ou de qualquer outra demagogia esquerdista, para que as maiores barbaridades sejam aceitas como consequência natural da desigualdade e da injustiça.

Boulos e outros líderes de péssima índole se aproveitam desta tola cordialidade para alargar seus espaços políticos. Usando pessoas humildes e realmente necessitadas como escudo protetor, vão ganhando fama de políticos preocupados com os direitos das pessoas, quando na verdade estão ocupados apenas na construção de um clima favorável para obter o poder. Nem há necessidade de teorizar sobre o resultado disso, com a desgraça política e econômica em que ficou o país depois de passar mais de uma década nas mãos do aproveitador que segue sendo idolatrado pela esquerda, mas que felizmente já está preso e com seu partido fora do governo.
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POR José Pires

sábado, 7 de abril de 2018

O plano B petista e a regressão do partido do Lula

Os petistas viviam dizendo que não havia um "Plano B", mas este circo de dois dias em torno da ordem de prisão do ex-presidente Lula demonstra que na verdade eles tinham esse plano: o "B” era de besteira. Da forma que o chefão do PT costuma repetir, nunca antes na história deste país se viu um partido fazer tamanha besteira como foram esses dois dias de espetáculo grotesco, tendo ao centro o ídolo de uma militância profissionalizada, a soldo de sindicatos, de esquemas políticos em universidades e outras instituições públicas, com o apoio de instrumentos práticos do projeto de poder petista, como o MST, MTST, e outras organizações de fachada que servem a Lula e seu partido como arma de intimidação.

O esquema é profissional, com bastante suporte financeiro, vindo da contribuição em dinheiro de trabalhadores para seus sindicatos, como está explícito nos imensos balões de propaganda da CUT, da Apeosp e de outras entidades, neste uso abusivo do orçamento e da estrutura de sindicatos, a serviço de um partido. Talvez por viverem tempo demais nesta bolha, os petistas julguem que estão com o controle da massa, na resistência para resgatar Lula das mãos da polícia. Mas o público que atende aos chamados é sempre esta militância profissional, enquanto a massa de verdade só acompanha o desenvolvimento estúpido deste inusitado "Plano B".

O uso fácil de tecnologias modernas, com vídeos e mensagens que saem com rapidez de pequenas máquinas, também fortalece a ilusão dentro da bolha vermelha, como pode ser observado nas falas deterministas de nulidades políticas como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, dentre outros políticos petistas que terão dificuldades em seus estados até para se elegerem deputados, mas que discursam como se comandassem as massas na hora da tomada do palácio do Czar, ou do ditador Fulgêncio Batista em Cuba, tanto faz.

Já faz algum tempo que psicologicamente o PT vem recuando no tempo, atarantados na sua falta de estratégia e até do mínimo senso de marketing. Já estavam parecidos com aquele partido do começo, antes de Lula arranjar um bom marqueteiro que lhe fizesse barba e cabelo, forçando-o, pelo jeito, até a tomar um banho. O PT já estava igual ao partido mandão e belicoso de sua origem, antes de seduzirem uma boa parcela do eleitorado com mensagens de progresso social e paz, o que logo se viu que era um logro.

Com esses dois dias de circo o partido de Lula regrediu ainda mais. Virou uma esquerda pré-64, com aquela mesma irresponsabilidade bravateira, provocadora e estimulante de retrocessos políticos. Para nossa sorte, ao contrário da esquerda o país amadureceu bastante. Só por isso nossa democracia não desmontou nesses dias em que a maioria dos brasileiros assistiu com espanto e até com certo humor, além de muita vergonha alheia, este espetáculo grotesco da regressão da esquerda brasileira ao que ela tinha de pior.
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POR José Pires

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Paulo Preto, Lula e seus companheiros na luta pela impunidade

O PSDB já lançou nota negando “qualquer vínculo” com Paulo Preto. Ele está em prisão preventiva, medida que só pode atingir o acusado quando existe prova material do crime ou sua autoria. Ou seja, de público os tucanos precisam mesmo se desligar de um preso nesta condição. O que dizem é que se Paulo Preto resolver falar, o partido de Serra e Alckmin acaba. Evidentemente a candidatura de Alckmin vai também para o beleléu. E já foi atingida com esta prisão.

Paulo Preto responde à denúncia da Operação Lava Jato de desvio de R$ 7,7 milhões de 2009 a 2011 (valores da época) de obras públicas no governo do PSDB. É o famoso caso do Rodoanel. A Lava Jato já tem a informação do MP da Suíça, de que Paulo Preto tinha 113 milhōes de reais depositados naquele país. A grana foi transferida para as Bahamas em 2017, quando a Lava Jato chegou aos tucanos. O caso do Rodoanel é sempre lembrado por algum petista quando aparece encrenca envolvendo o PT.

>E aí que entra o que os petistas tentam fazer com esta prisão do Lula, seus ataques à rejeição do habeas corpus pelo STF e ao STF, as confrontações sujas ao trabalho do juiz Sérgio Moro. Entra aqui também a tentativa de políticos poderosos ligados à corrupção de derrubar a prisão em segunda instância, atuando agora em conjunto com forças de esquerda.

Sem a prisão em segunda instância, figuras como Paulo Preto jamais ficarão na prisão, da mesma forma que Lula. Eles têm dinheiro e proteção política para alongar o andamento dos processos até sua prescrição. Do mesmo modo acontece com autores de crimes cruéis, que se tiverem dinheiro escapam da punição por meio de recursos jurídicos infindáveis.

Qualquer um que fique com mimimi defendendo o salafrário do Lula com alegações hipócritas como abuso judicial e de desrespeito à presunção de inocência está na prática lutando pelo interesse de tipos como Paulo Preto. Com a defesa do chefão petista nas redes sociais também ganham outros operadores de políticos poderosos como Aécio Neves, Michel Temer, Renan Calheiros, Collor ou deles próprios, além das alegações acabarem, por consequência, sendo favoráveis a criminosos cruéis, chefes de quadrilha e até pedófilos e estupradores. Do jeito que anda a situação do Brasil, a questão da Justiça tem lado. Quem peleja para que Lula fique impune acaba ajudando criminosos que levaram o país às piores condições de segurança de toda sua história.
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POR José Pires

PT, Lula e a cumplicidade moral na destruição do Brasil

O Facebook me traz um post meu de abril de 2014, de uma conversa entre o doleiro Alberto Youssef e o então deputado petista André Vargas, atualmente condenado e preso. Tem tudo a ver com o que está acontecendo agora. Tem relação direta com Lula e seus defensores nas redes sociais, vários desses paladinos da Justiça procurando amenizar suas responsabilidades por este desastre econômico e moral em que meteram o nosso país.

Lembro que poucos dias antes de ser pego, Vargas foi glorificado nas redes sociais por ter feito ao lado do então ministro Joaquim Barbosa o notório gesto esquerdista do punho levantado em desafio. O deputado corrupto expressava ali a esperança de todos se safarem do cerco do STF ao mensalão, para o partido manter-se no poder. Vargas é de Londrina. E alguns que falam hoje de "presunção de inocência" queriam fazer dele prefeito da cidade. Já haviam contribuído para ele ser um homem poderoso, como deputado e vice-presidente da Câmara Federal. Muito bem pagos ou com fartos benefícios pessoais, se empenharam pela sua eleição para a prefeitura da segunda maior cidade do Paraná, numa campanha caríssima do PT. Dá para imaginar o que seria de Londrina se o plano desse certo? O Brasil aí está como exemplo do horror.

Pois é, somos o que plantamos, não é assim que se diz? Mas pode haver o arrependimento, isso é certo. Porém, devolve-se então o que foi ganho na cumplicidade com planos destruidores? Faz-se o mea culpa? Nada disso. Os companheiros ainda querem ter razão. Lula pretende ficar com tudo e ainda permanecer impune. Para isso ele conta com a ajuda de inocentes úteis e muitos que de inocência não merecem nem a presunção. Estavam todos de olho na "independência financeira" de que falava o doleiro. Na época em que Vargas foi preso, Lula disse o seguinte, se referindo a uma viagem de férias do petista com a família, paga por Yousseff: “Espero que ele consiga convencer a sociedade e provar que não tem nada além do avião”.

O chefão do PT disse mais: “Quando Deus coloca um ser humano no mundo, coloca na expectativa de que todos façam as coisas corretas, não cometam nenhum erro. Acho que ele tem que explicar”. E depois disso abandonou Vargas na prisão, assim como fizeram todos do PT. Ninguém explicou nada. É claro que não havia apenas a viagem paga pelo doleiro. Os crimes do partido avançaram sobre todos os setores da vida brasileira, engessando nosso desenvolvimento a partir de negócios exclusivos do Estado com empresários corruptos, roubando estatais essenciais para a economia brasileira e na segurança da Nação, enfiando o Brasil na mais grave crise de toda sua história.
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POR José Pires


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Diogo Mainardi, o Antagonista e a caça da anta

Com o anúncio da prisão de Lula para amanhã virou meme na internet a antiga obsessão do pessoal do site O Antagonista pela prisão do chefão do PT, tendo como caçador mais destacado o jornalista Diogo Mainardi, que tinha o ex-presidente como sua anta. Foram 16 anos com Lula fugindo da mira, mas parece que finalmente chegaram lá. Com a decretação da prisão todo mundo está fazendo piada com o assunto e eles também, numa auto-gozação bem no estilo deste site de grande sucesso, feito com criatividade e espírito jornalístico do melhor tipo, sempre trazendo assuntos destacados da política e dando furos atrás de furos nas outras publicações e sites.

Além de Mainardi, o site conta também com o trabalho de Mario Sabino e Claudio Dantas. O Antagonista se sobressai e só vem crescendo, porque apostou no lado certo, que é contra Lula e seu partido e o projeto político da esquerda que arrasou com a economia brasileira, abriu amplo espaço político para o domínio da corrupção e deixou o Brasil nos níveis mais baixos de moralidade e da ética. Eles só crescem, mas é uma equipe que trabalha duro. E se diverte em dobro.

Por outro lado, quem apostou em Lula, dançou. No poder, os petistas montaram uma máquina de comunicação poderosa, tocada com muito dinheiro. Blogs e sites a serviço do projeto de poder do PT e fazendo o serviço sujo de ataques a qualquer pessoa contrária ao governo da esquerda reinavam na internet, impondo-se pelo poder político e financeiro.

Mas com a queda de Dilma Rousseff não sobrou nada dessa máquina de comunicação. O produto que fizeram foi sempre muito ruim, como meros panfletos de propaganda do governo e de ataques aos adversários. Estiveram no bem-bom durante bastante tempo e neste período não conquistaram leitores, credibilidade muito menos, ficando sem condições de prosseguir quando minguou a dinheirama que jorrava do governo e da publicidade de empresas estatais.

Como conta Mainardi em uma das crônicas de seu livro “Lula é minha anta”, por muitos anos ele prometia derrubar Lula. Fracassou sempre, ele mesmo confessava, dizendo que atirou tanto, em tantas direções que acabou atingindo uma porção de alvos. E como acertou. Muitas revelações vieram de seu atrevimento e acesso a boas fontes. Acertou também na criação de O Antagonista, junto com os colegas Sabino e Dantas. Estava no lado certo, contra o poderoso esquema de Lula e seu partido. Não se abateu na longa caçada à anta. Desta vez parece que o tiro pegou.
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POR José Pires

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Imagem- No giro do relógio, Claudio Dantas, Diogo Mainardi e Mário Sabino



Mensagem do partido do Lula


Recebo todos os dias mensagem eletrônica da bancada do PT na Câmara. No geral, no assunto já vem determinada a posição do partido do Lula, de modo que a realidade é quase sempre o contrário do que eles estão falando. Nesta quinta-feira, eles avaliam o dia de ontem como uma calamidade: "Um dia trágico para a democracia e para o Brasil". Escolado que sou na linguagem do PT, já sei que o dia foi excelente para o Brasil. É uma forma estranha de dar boas notícias, mas os petistas são assim mesmo.
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POR José Pires

As forças que levam Lula para a cadeia

Lula lá no xilindró. A decisão evidentemente é ótima para a luta contra a corrupção. Que o Brasil siga adiante. Mas a verdade é que, com este STF que aí está, parece um milagre que a decisão não tenha sido favorável ao condenado — até aqui — por corrupção e lavagem de dinheiro. Haja energia positiva para que o resultado tenha sido alcançado.

Cabe saber de onde vieram as influências para chegarmos a este milagroso acontecimento. Teve o pessoal com as cores da bandeira brasileira, que tomaram ruas pelo país afora, de forma espontânea e pacífica como sempre. Esta vontade popular foi um diferencial importante, apesar da dificuldade de parte da mídia em diferenciar multidões de um punhado de militantes profissionais na frente do prédio do Lula.

Mas devem existir também impulsos imateriais para que tenha sido possível este prodígio do STF. De onde brotou esta transformadora energia? As manifestações mais fortes dos últimos dias foram as tuitadas do comandante do Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas, e o jejum do procurador Deltan Dallagnol. Na dúvida, creio que quando houver outra votação importante no STF, cabe pedir aos dois que repitam suas prodigiosas emanações.

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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Brasil, democracia subordinada

Nada é pior para a democracia que uma intervenção militar. Porém, o estrago no sistema político e institucional já está feito quando ocorre uma ação como a manifestação pública do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, sobre o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, seguido do apoio direto de outros generais da ativa. Na prática, ficou afirmada a real possibilidade de intervenção das Forças Armadas.

O que pode piorar, geralmente piora mesmo. Esta é uma regra que pegou no Brasil. O país já não ia bem, mas neste mês de abril teve agravado seu mau estado. Ficou estabelecido que nossa democracia está subordinada ao desejo das Forças Armadas. A tutela não é a da proteção institucional assegurada pela Constituição. Os militares são de um poder mais elevado, com o direito de puxar orelhas se os comandantes acharem que é necessário.

Uma classe política incompetente e mesquinha, incapaz de cumprir até obrigações básicas, colocou o país nesta condição complicada e muito vergonhosa. Para este desastre, foi importante a empurradinha de juízes do Supremo Tribunal Federal, com suas idas e vindas ao sabor de interesses pessoais, além do comando incompetente e corrupto de um presidente lamentável, este Michel Temer, que já tem a garantia de uma triste memória quando seu governo, enfim, tiver acabado.
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POR José Pires

Os generais e os atuais idos de abril

Tem gente chamando este 4 de abril de “Dia D”. Apesar da alusão a uma data grandiosa demais para a condição de baixeza moral que envolve este julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, vá lá, aceitemos a definição. Mas só no sentido da decisão quanto ao destino imediato deste político salafrário que é o chefão do PT. O maioria dos brasileiros torce para que o bom senso se sobreponha aos inconfessáveis interesses de boa parte dos ministros. Que Lula possa, enfim, ser levado para o xilindró. No entanto, ainda que isso ocorra, mesmo assim este STF não estará à altura da sua responsabilidade neste momento atual do Brasil.

De todo jeito, Lula não tem escapatória. Mesmo se for salvo agora com este habeas corpus, ele terá que prestar contas por seus crimes, primeiro desses 12 anos e um mês que tem para cumprir de cadeia, que pode ser resolvido pelo STJ mais adiante se o STF se render ao acordo fechado entre corruptos graúdos. Depois, nos outros processos, alguns mais graves que este do triplex.

Apenas pelo habeas corpus de Lula, hoje até pode ser o “Dia D”, mas as manifestações públicas de generais da ativa, tendo à frente o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Boas, lembra mais uma expressão que tem a ver com a história recente do Brasil, os “Idos de Março”, muito citada em razão do golpe militar de 1964, que se deu no final de março. A expressão permite ponderar sobre a prudência e a fatalidade. Tem origem na antiga Roma, nos momentos anteriores ao assassinato de Júlio César, que poderia talvez ter escapado dos punhais de seus matadores se ouvisse um alerta. O adivinho havia dito: cuidado com os idos de março! Como se sabe, Cesar ignorou o aviso e foi para o Senado, confiante na sua força.

O golpe militar trouxe a expressão para a história brasileira. Falou-se muito disso, sobre o 31 de março, na conspiração contra o governo de João Goulart. Mas como eu já disse aqui, golpe eficiente é o que não pode ser previsto. Muitos anos depois, uma figura importante nesse episódio, Darcy Ribeiro, disse que as pessoas próximas ao presidente esperavam o golpe para o dia 1º de maio. Veio um mês antes. Por sinal, foi com o nome de “Idos de Março” que logo depois do golpe saiu um livro importante, feito por jornalistas como Alberto Dines, Carlos Heitor Cony e Antonio Callado. É o primeiro livro sobre o movimento militar de 1964.

Com as manifestações públicas agora de importantes generais da ativa, pode-se falar em “Idos de Abril”. Tem faltado prudência a muitos, especialmente à esquerda, que vem cutucando os militares muito antes dessa bagunça política atual. Atiçaram confrontos de forma militante e bravateira, revirando fatos e fazendo exigências que jamais poderiam ser sustentadas politicamente, além de quebrar compromissos formais e tácitos entre os militares e a sociedade civil, em acordos que encerraram sem grandes conflitos o ciclo militar. Mas com as encrencas trazidas pela esquerda, os militares foram voltando gradativamente ao noticiário político. E com a mídia toda  desmantelada, não foi possível conhecer antecipadamente o nível de incômodo que havia na caserna. Agora já se sabe.

As mensagens disparadas por generais pela internet soam como um aviso das contrariedades internas. Seja como for, os militares se lançaram em uma situação que compromete a condução política do país e a condição das Forças Armadas. Caso aconteça a rejeição do habeas corpus de Lula, a decisão terá a marca da interferência militar, agora se impondo ao debate dos problemas nacionais. E caso haja a liberação de Lula pelo STF, poderá parecer um sinal da baixa influência dos militares, especialmente do Exército Brasileiro. E isso evidentemente não é verdade, senão seus comandantes não estariam opinando sobre assuntos que numa democracia não são da alçada militar.
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POR José Pires

terça-feira, 3 de abril de 2018

Freixo e a memória de Marielle no apoio a Lula

O deputado estadual Marcelo Freixo, líder do Psol e padrinho político de Marielle Franco, esteve no ato em apoio ao ex-presidente Lula, nesta segunda-feira no Rio de Janeiro. Freixo compareceu vestindo uma camiseta com a frase "Lute como uma Marielle".

>Como assim? Lute como uma Marielle a favor de um condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro? Lute como uma Marielle contra a corrente cívica nacional pela ética e a punição de todos os corruptos? Sinceramente, Freixo podia ter escolhido uma luta decente em memória de sua companheira assassinada.
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POR José Pires

STF e Lula: o risco do Brasil virar o país do salve-se quem puder

O general Luiz Gonzaga Schoeder Lessa disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o Supremo Tribunal Federal não pode deixar o ex-presidente Lula solto, pois isso criaria um clima de violência entre os brasileiros. Schroeder Lessa é militar da reserva, mas ninguém deve enganar-se com a suposta falta de poder para sustentar o que ele está falando. O Brasil sempre teve um ou outro militar de reserva incomodado com algum assunto, mas ultimamente temos militares demais expressando o desconforto das casernas com o que vem ocorrendo na política. E cabe também apontar os frequentes pronunciamentos do comando do Exército tranquilizando o país quanto a uma provável intervenção. Comandante militar fazendo pronunciamento favorável à democracia é um perigoso sinal de que a democracia não vai bem.

O general Schoeder Lessa disse que deixando Lula solto, o STF estará agindo como “indutor” da violência, “propagando a luta fratricida, em vez de amenizá-la”. E a ameaça foi muito clara. Suas palavras: “Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever das Forças Armadas restaurar a ordem”.

Não cabe avaliar em poucas linhas a real possibilidade de retrocesso político, até pelo fato do golpe militar realmente eficaz ser aquele que não é possível prever. Mas sem dúvida, a opinião do general de que está havendo muita “rasteira e mudança da lei” é um sentimento generalizado entre a população. É geral também a percepção de que o STF é o centro de uma articulação para manter a impunidade de corruptos de grande poder político. E além de ser uma indignidade política, um habeas corpus para Lula vai também abrir as celas para traficantes e até pedófilos. Não que esse tipo de criminoso seja pior que corruptos com o poder destrutivo de políticos salafrários como Lula, mas ao livrá-lo, o STF vai passar uma mensagem positiva para o mundo do crime e de salve-se quem puder para os cidadãos de bem. Será total a desesperança com a Justiça.

Este sentimento da impossibilidade de acreditar na Justiça pode de fato propagar a tal “luta fratricida” de que falou o general. Isso já ocorre em larga escala, em relação aos crimes comuns, nas desavenças pessoais e tantas questões do cotidiano que o brasileiro já não acredita ser possível resolver por meio da lei. Crimes comprovados levam décadas para serem julgados. Isso quando o processo chega a um julgamento. Criminosos cruéis e perigosos recebem benefícios e saem da prisão. Ou então continuam comandando quadrilhas de dentro dos presídios. E agora, quando já está em andamento um trabalho de procuradores, polícia e juízes em favor da ordem, vem de cima esse clima de cumplicidade com um político responsável pela maior onda de corrupção que já assolou o Brasil.

As ações do Ministério Público, da Polícia Federal e de juízes da primeira e segunda instância trazem a esperança de que a Justiça possa, enfim, cuidar da segurança e do direito dos brasileiros a uma vida de relativa paz. A partir da punição dos chefões de cima, que comandam o crime por meio da política, pode-se chegar à punição dos criminosos comuns, trazendo enfim a segurança para a população. Mas dependendo de decisões do STF, talvez já neste mês de Abril, pode ocorrer o contrário. É nesse sentido a preocupação de qualquer pessoa sensata, seja civil ou militar. Ninguém sabe qual pode ser a reação de uma população que deixa de acreditar que vive em um país onde a punição da corrupção é garantida pela Justiça, pela via democrática, com a lei e a ordem.
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POR José Pires

domingo, 1 de abril de 2018

A esquerda moldando o gosto do público

O filme "Lula, filho do Brasil" era o que a esquerda queria ver como a obra máxima do cinema nacional, criando filas nas bilheterias pelo país afora. Já "O mecanismo" sofreu pesados ataques com o objetivo não só de forçar um grande fracasso da série como para haver uma grande onda de cancelamentos de assinaturas da Netflix.

O filme da biografia de Lula foi um fiasco histórico. A série dirigida por José Padilha é um dos grandes sucessos da TV a cabo e a Netflix virou o centro das atenções da mídia e do público. Até quem não tinha interesse na série resolveu assistir para conferir, até porque hoje em dia quem não sabe nada dela pode ficar isolado nas rodas de conversa. Nomes como Ruffo, Roberto Ibrahim, Miller & Bretch, Juiz Rigo, Janete e João Higino, fazem parte do cotidiano das pessoas. São tão indispensáveis para se enturmar como saber da última mandracaria de Gilmar Mendes, os apuros de Temer ou qualquer outra instigante patifaria da política brasileira.

A esquerda é um fracasso numa grande quantidade de coisas, mas em poucas delas erra tanto como no estímulo ao que acredita que deve ser um sucesso de público e no trabalho contra o que acha que as pessoas precisam odiar. No cinema ou na televisão, a aceitação de uma obra depende de variados fatores, com algumas razões que nem tem explicação. No entanto, no Brasil pelo menos já se sabe que um elemento essencial para o sucesso é não cair no gosto da esquerda. A promoção pode ser ainda melhor se houver ódio e indignação esquerdista pelo que foi produzido.
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POR José Pires

Um país que não se cuida

Após desastres como o ocorrido nesta sexta-feira na Ilha Grande, em Angra dos Reis, no atropelamento de banhistas por uma lancha, costumam aparecer informações sobre a falta de procedimentos que evitariam a tragédia. Nos mais variados problemas neste nosso Brasil, em situações das mais dramáticas, quase sempre surge depois a indicação de que os riscos já eram conhecidos. Quatro banhistas foram atropelados no acidente em Angra, com duas mortes e duas vítimas com ferimentos graves. Uma teve um pé amputado.

Depois do acidente, soube-se que em dezembro do ano passado o procurador Ígor Miranda da Silva, do Ministério Público Federal em Angra dos Reis, requisitou providências administrativas do Ibama, da Marinha e da prefeitura para garantir maior segurança aos banhistas  em toda a faixa litorânea do estado do Rio de Janeiro. A informação é do site G1. O procurador diz que fez o pedido “após presenciar a absurda proximidade de embarcações [lanchas e escunas] de banhistas em diversas praias de Angra dos Reis”.

Não me surpreenderia caso apareçam notícias sobre outros alertas anteriores quanto ao perigo de acidentes como este naquela região. Vivemos em um país onde quem exige o atendimento de regras básicas de segurança em qualquer situação, quase sempre tem sua cautela menosprezada, podendo inclusive ser ironizado até pelas pessoas em risco. Também é aqui a terra em que desastres desse tipo costumam percorrer um trâmite de décadas na polícia e no Judiciário, acabando na impunidade. Segundo a polícia, no acidente de Angra dos Reis pode ter havido distração do condutor ou um defeito técnico que fez a lancha avançar sobre os banhistas. Nas duas hipóteses, segundo o delegado que cuida do caso, houve imperícia do condutor. E o condutor? Ah, sim, ele pagou uma fiança de R$ 2 mil e foi liberado no mesmo dia.
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POR José Pires

quinta-feira, 29 de março de 2018


Contra a violência na política de qualquer lado

Os buracos de bala na lataria do ônibus da caravana de Lula podem até ter sido forjados, como tentativa dos petistas se vitimizarem. Não seria a primeira vez que a esquerda dá um tiro no próprio pé. No entanto, quem tem espírito democrático e bom senso não pode cair na zoação equivocada que busca amenizar a violência contra a caravana de Lula, apontando o que o PT sempre fez de errado, como se a índole agressiva da esquerda e seu autoritarismo justificassem os bloqueios na entrada das cidades e os ovos e pedras atirados contra os petistas.

Os tiros podem mesmo não ser de adversários, mas o esclarecimento serve apenas para saber se houve de fato este atentado. A verdade é que na sua caravana política os petistas foram alvos, sim, de violência organizada contra o direito legal que todo partido ou grupo de pessoas tem de levar sua mensagem a população. O deputado Jair Bolsonaro vem fazendo a mesma coisa há meses. Sua mensagem política é tão violenta e fora de propósito quanto a da esquerda, no entanto é seu direito buscar o convencimento das pessoas. Desde que não haja uso do dinheiro público ou desrespeito à lei, qualquer um pode fazer seus discursos pelo país afora, mesmo que seja em cima de uma caixote de madeira no calçadão de uma cidade.

E ainda que exista algo de ilegal nas andanças do PT ou de qualquer outro partido, não cabe a criação de bandos de pessoas para intimidar e coibir pela força a caravana. Para isso existe a Justiça. Por mais que se saiba que é compreensível o alto grau de indignação com um político salafrário como Lula, o que se viu no Sul do país traz para a política brasileira um espírito de milícia que não cabe numa democracia. O tiro na lataria importa menos que o limite que vem sendo transposto, do respeito aos direitos políticos de cada um e à liberdade de expressão.

Cabe apontar também o risco de não condenar essas agressões, independente da péssima qualidade política do partido que faz a caravana e seu histórico de violência e desrespeito à lei, além do roubo aos cofres públicos e a quebra da economia. Calar sobre as agressões é um risco para o Brasil. Primeiro, porque os políticos que são favorecidos por este clima de intimidação e violência com certeza não manterão as agressões apenas neste nível e nem direcionadas exclusivamente aos petistas. E depois, se a eleição deste ano transcorrer dessa forma corre-se o sério perigo do presidente eleito manter depois, no poder, o mesmo método violento que o levou para lá.
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POR José Pires

Os amigos de Michel Temer na cadeia

Nem sempre uma imagem vale por mil palavras, mas esta foto vale até um pouco mais. Sinta o clima da comitiva presidencial na chegada para a inauguração do novo aeroporto de Vitória, nesta sexta-feira. A foto foi distribuída pelo setor de imprensa do Palácio do Planalto. No momento do clique, o presidente Michel Temer já estava sabendo da ação da Polícia Federal que prendeu uma porção de pessoas muito próximas dele. A situação é tão complicada que o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, desistiu na última hora de comparecer à cerimônia de inauguração. Por ironia involuntária, mandou o vice.

Na Operação Skala foi preso até o famoso coronel Lima, amigo de Temer, suspeito de ser seu operador. Entre os presos estão também José Yunes e Vagner Rossi, políticos do círculo de amizades do presidente da República. O ministro Luís Roberto Barroso autorizou 13 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão. Na última terça-feira, o Jornal Nacional revelou documentos do inquérito sobre o Porto de Santos. Numa planilha está escrito o seguinte: “Lima quer participação para MT, MA e L em torno de 20%”. As iniciais “MT” também aparecem em outra planilha, onde é dito que o “percentual ainda não está acertado” e que “Lima está terminando o contrato”. Este inquérito havia sido arquivado em outubro do ano passado por uma juíza de São Paulo. Na semana passada, por ordem de Barroso, foi entregue ao Ministério Público.

No despacho em que mandou prender os amigos de Temer, o ministro Barroso menciona contrato de R$ 160 milhões para obras da usina de Angra 3. O contrato ficou com a Argeplan, empresa de João Baptista Lima Filho, o coronel Lima. No despacho, o ministro do STF cita depoimento de José Antunes Sobrinho, investigado pela Lava Jato onde ele diz que a Argeplan só foi escolhida porque é ligada a Temer. Por não ter capacidade para o serviço, disse Antunes Sobrinho, a empresa do coronel Lima teve que subcontratar a Engevix.
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POR José Pires

Afinal o inferno existe ou não?

Parecia que o jornal italiano "La Repubblica" havia dado a notícia não só do século, mas de todas as eras: "O inferno não existe". Deve ter pouca coisa mais importante do que essa revelação, ainda mais vindo da fonte que teria passado a informação ao jornal. O próprio papa Francisco.

O “La Repubblica” publicou uma conversa entre o papa e o fundador do jornal, Eugenio Scalfari. Em artigo assinado, Slcafari afirmou que o pontífice disse que "o inferno não existe; o que existe é o desaparecimento das almas pecadoras”.

Mas o Vaticano já negou tudo, em comunicado oficial. Foi um encontro privado e não uma entrevista e tudo que está no artigo é uma reconstrução do próprio autor, diz o comunicado. Não é uma "transcrição fiel das palavras do Santo Padre". Scalfari, que tem 93 anos, não costuma utilizar gravador nas suas conversas nem faz anotações. Já publicou artigos com informações exclusivas que obteve em conversas com o papa Francisco, mas nenhum com esse alvoroço, que forçou o Vaticano a um desmentido urgente. A Igreja Católica precisa muito do sentimento do pecado, que sem o inferno perderia grande parte de seu impacto.

Bem, vai permanecer a dúvida sobre quem está falando a verdade. Francisco pode ter feito uma confidência a um interlocutor supostamente confiável, sem esperar que o assunto fosse parar nas páginas de um dos diários de maior penetração do mundo. Não se sabe se teve pedido de “off”, de um lado ou de outro, então ninguém pode ser condenado — com o fogo do inferno ou não.

O “La Repubblica” é uma publicação séria, de grande credibilidade, além de Scalfari ser experiente nos assuntos do Vaticano. Não se trata de um escriba fofoqueiro procurando fama com qualquer boato. Portanto, cada um escolha sua versão. A revelação do jornalista ou a errata do Vaticano. E todos ganham do jeito que ficou. Mantém-se a ameaça do fogo eterno e o “La Repubblica” conseguiu um desmentido importante do ponto de vista jornalístico. Afinal, não é todo dia que se pode dar uma errata do Vaticano sobre um assunto tão quente.
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POR José Pires

quarta-feira, 28 de março de 2018

Lula e Bolsonaro: contrários que precisam um do outro

O novo espetáculo das eleições de 2018 é o deputado Jair Bolsonaro e lideranças petistas discutindo a autoria dos tiros contra a caravana de Lula nos estados do Sul do país. A dúvida é qual dos lados afinal furou com balas a lataria dos ônibus. Mas não é mesmo um debate interessante para um país na triste condição do Brasil? O deputado também anuncia que nesta quarta-feira fará uma bobice em Curitiba, onde pretende lavar com água e sabão uma praça onde Lula vai montar palanque no mesmo dia. Bolsonaro promete que sua jogada eleitoreira será depois do PT desocupar a praça. Mas é óbvio que já jogou gasolina no afogueado ânimo de seus seguidores.

A reação violenta contra a caravana petista tem a mesma espontaneidade das plateias nas cidades em que Lula passou. É de cima que vêm os ovos e pedras que caíram sobre a caravana de Lula e seus comícios. A campanha de Bolsonaro dá uma demonstração prática da base de seu marketing de campanha. É mais ou menos isso que virá por aí, de um presidenciável que não será competitivo em uma eleição de clima democrático e equilibrado emocionalmente.

O encontro brutal no Sul do país pode ser explicado por um ditado local, mais comum entre os gaúchos, que diz que “os gambás se cheiram”. Jair Bolsonaro precisa do PT, assim como o partido do Lula está com uma necessidade desesperada de confrontos violentos. Já faz tempo que os petistas só crescem dessa forma, dividindo as pessoas em batalhas vazias. Na atual condição política do PT é uma besteira confrontá-los. Seu desmonte é gradativo. Segue o destino de tornar-se uma agremiação nanica, junto ao Psol, na mesma proporção de amalucados partidos extremistas.

As coisas já iam muito mal para os petistas, até esta entrada em campo do pessoal de Jair Bolsonaro. Em suas andanças pelo país, Lula foi colecionando fiascos, falando para ajuntamentos forçados, apenas de militantes profissionais ou miseráveis precisando de pão com mortadela, pois o PT tem cada vez mais dificuldade de penetração política em qualquer cidade brasileira. Era exatamente em busca de encrenca que agora rodavam pelo Sul do país.

partido do Lula vai muito mal nesta região, onde sempre perderam eleições presidenciais e de uns anos para cá começaram a perder também todas as outras. No Paraná, onde dias atrás a caravana entrou, eles estão acabados. Nas eleições municipais o PT não elegeu prefeitos em importantes cidades brasileiras, como aconteceu em Londrina, segunda maior cidade do estado, onde não elegeram nem vereador. Os petistas tampouco elegeram prefeitos na maioria das cidades paranaenses.

Na capital do estado, o candidato petista à prefeitura ficou em sexto lugar, com apenas 39 mil votos. Com três vereadores anteriormente, dessa vez o partido caiu para apenas um vereador. E Curitiba é a cidade onde mora a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT e organizadora da grotesca caravana. O estado é base eleitoral também de Paulo Bernardo, ex-ministro de Lula e Dilma, marido da senadora e réu no STF junto com ela. O ex-deputado corrupto André Vargas, atualmente preso, era ligado a Bernardo e Gleisi. O prestígio do PT é tão baixo no Paraná que Gleisi nem pode tentar a reeleição ao Senado. Terá dificuldade de se eleger para a Câmara Federal.

É óbvio que sair às ruas para se engalfinhar com militantes de um partido nesta situação é fazer exatamente o que está no planejamento do adversário. Mas acontece que para as lideranças bolsonaristas esses conflitos de rua têm um valor político e eleitoral quase na mesma medida do interesse dos petistas. A troca de sopapos serve para Bolsonaro fortalecer a imagem de valente opositor do PT. E que ninguém pense no caráter histórico do autoritarismo esquerdista. É sofisticação demais para um político como Bolsonaro, que idolatrava Hugo Chávez quando ele ganhou sua primeira eleição na Venezuela. O objetivo é estimular outras discussões, como a questão do aborto, liberação de armas, casamento gay, questões de gênero, bases essenciais do pensamento bolsonarista. É o tipo de assunto que interessa aos petistas e bolsonaristas, porque dá a chance de distrair a atenção da opinião pública do vazio de ideias e propostas de cada um dos lados.
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POR José Pires